2007-02-26

Super-poderes da comunicação social

Hoje a RFM noticiou, enquanto a Protecção Civil e a Câmara de Oeiras faziam a vistoria ao prédio, que o resultado da vistoria era que o prédio iria fica inabitável cerca de 1 semana!

Será que eles me podem dar 5 números e outro para a estrela do euro-milhões?

Há jornalistas que nem com um ferro em brasa pela peida...

Se os meus posts até este momento foram um desabafo mais ou menos cómico (depende do ponto de vista), o de hoje reflecte um estado de espírito diferente.
Passo a explicar:
Desde sábado à noite que os media falam de uma explosão que destruiu parcialmente andar em Carnaxide, sendo um dos mais afectados, infelizmente, da minha cunhada mais velha.
No meio da infelicidade, houve uma intervenção divina que fez com que a minha cunhada tivesse saído com os meus sobrinhos e a casa estivesse desabitada.
Aliás, nem os peixes nem a cadela foram afectados pela explosão!
Mas uma desgraça nunca vem só!
O pior foi a chegada dos abutres à procura de presas para satisfazer o seu apetite de desgraça, como forma de ganhar liderança nas audiências.
A minha cunhada é abordada por um jornalista (da SIC) que lhe pede autorização e a questiona sobre o sucedido. Ao ver que o conhecimento da minha cunhada sobre os factos era relevante, pediu-lhe autorização para gravar a conversa, tendo a minha cunhada concordado.
Dirão vocês: então qual é o problema?
Agora a versão TVI: quando a minha sogra chega do Alentejo, em completo desespero ao saber o infortúnio da filha, é abordada por uma jornalista da TVI, tendo-lhe explicado, em passo de corrida, qual a razão do seu semblante.
O cheiro a drama foi o suficiente para que a minha sogra fosse seguida por uma equipa de reportagem que, sem autorização, filma o abraço de uma mãe à sua filha.
Eu pedi para desligar, afastei a câmara, tapei a lente, mas nada.
Mesmo vendo aquele misto de desespero e o alívio e com todas as pessoas a pedirem que dessem paz áquelas duas almas, nada.
A insistência da jornalista, mesmo após pedidos de familiares e amigos para que se afastassem, levou a que a minha sogra lhe pedisse que se afastasse o que, como é óbvio, ainda demorou um bocado.
Por isso eu digo:
Mandem esse tipo de gente para o Iraque e outro tipo de zonas de guerra - é que ainda não morreram bastantes!
ÀS ARMAS!!

2007-02-14

TV dos Mortos Vivos

Agora Pai de dois filhotes, ando um pouco mais atento aos fenómenos infantis...

Vocês já se deram conta que pela televisão pululam mortos-vivos?

O Noddy tem 58 anos de idade - apareceu pela primeira vez em 1949 -, a Rua Sésamo ressuscita, a Floribela há-de ter 80 anos sem nunca ter conhecido o sabor do Frederico e os Morangos ainda não morreram, o Marcelo continua a falar, o Prof. Hermano Saraiva ostenta roupa histórica do tempo do seu amigo António e a Maria Elisa apresenta um programa sobre portugueses mortos e enterrados, se bem que já não vivos como ela...

alguém faz o favor de pôr fim a este filme de terror?

2007-02-13

Grande vitória do "Tou-me é bem a cagar para essa cena do aborto!"

Meus amigos:
Da leitura que eu faço dos resultados do referendo ao aborto, o grande vencedor foi o anti-movimento "Tou-me é bem a cagar para essa cena do aborto!".
Reparem que cerca de 56% dos eleitores demonstraram que se estavam a borrifar para o referendo, para a despenalização e para o aborto.
É fantástica a leitura dos apoiantes do SIM dos números:

  1. "O refendo mais votado de sempre" - meus amigos, é o 3º a nível nacional e os 2 anteriores foram um fiasco maior (não se esqueçam que a abstenção foi superior ao nº de votos)
  2. "2/3 votaram sim"- sim, mas foram 2/3 de cerca de 1/3 dos eleitores, o que dá, ora ... 3 X 6 18... aaaaah... é só fazer as contas
  3. "A vontade do povo é clara" - ah pois foi, claríssima: não quero saber!

Façam um referendo a perguntar se os salários devem aumentar, pelo menos, de acordo com a inflacção, perguntem se querem um SNS maelhor, perguntem se querem um serviço público célere e competente, se querem a justiça a funcionar de forma rápida e eficaz, perguntem se querem o SLB campeão nacional (desculpem, deixei-me levar)...

Aí sim, deve haver mais gente a ir às urnas.

É óbvio que tudo isto não passou de o Sr Engº ter uma desculpa para alterar a presente lei e permitir a entrada das clínicas espanholas em Portugal e o afastamento do barco do aborto das "Women on Waves", ou lá como é que se chamam.

Sim, queremos as holandesas e "estranjas" em geral mas é no Algarve para o Zézé tratar delas, mas agora com uma garantia: se o Zézé as marcar com o gene lusitano, já podem tratar do assunto legalmente até às 10 semanas.