2006-12-29

Fechado para Férias

Meu Pai tem o terrível hábito de ouvir a TSF de manhã na sua deslocação diária para Lisboa. Não sei se já repararam, mas a TSF repete-se qual disco de vinil riscado de meia em meia hora. Não são só as mesmas notícias. O jornalista pivot repete exactamente as mesmas frases, a mesma ordem, as mesmas reportagens, às vezes até os mesmos anúncios. É tudo igual de meia em meia hora. Faz-me lembrar um filme terrível chamado Feitiço do Tempo. É como acordar sempre à mesma hora e sempre no mesmo dia.
Mas há dias em que acontecem coisas estranhas e parece que finalmente o feitiço foi quebrado. Hoje foi um desses dias. Quando a chave rodou na ignição e o rádio começou a cantar fiquei admirado. Passava uma música dos GNR. E este é um facto incortonável. A TSF só passa música quando não tem nada para repetir.
E depois analisei a questão. Não há futebol. A Carolina já se esgotou. As prendas já se abriram. O trânsito não pára. Os políticos estão de férias. Os juízes também. Os professores não se manifestam porque não têm nada para fazer. Os CTT entram em greve em oportunos três dias, mas os correios continuam a funcionar como um dia normal, muito mal. Vão matar o Saddam, mas isso já se sabia. Os polícias andam entretidos com os automobilistas. Os ladrões não roubam no Natal. O Gato Fedorento repete-se. Os filmes que passam são os mesmos. Que raio poderia a TSF dizer?
Nada, absolutamente nada, porque afinal, este país não está de tanga, está de férias...

2006-12-21

Coisas que odeio - A Praia, Parte I

Ao longo da nossa vida vamos desenvolvendo ódios viscerais, mesmo viscerais, que nos saem das entranhas mais podres do nosso corpo e com as quais queremos conspurcar o objecto do nosso ódio. Há quem visualize estes ódios com tiros de carabina no meio do crânio dos visados. Eu acho que o conteúdo visceral é melhor. Claro que uma bala no crânio provoca muito nojo a quem o vê. Afinal são bocados de cérebro que se espalham aleatoriamente sabe Deus por onde juntos com verdadeiras piscinas de sangue, daquele bem vermelho, que faz desmaiar o macho mais macho da face da terra. E uma bala no crânio tem também um carácter violento, coisa que nós queremos ser para com o objecto do nosso ódio. Mas eu prefiro o conteúdo visceral. É nojento. Em vez de desmaio provoca vómitos, náuseas, as pessoas querem fugir a sete pés. O oposto de um bom bocado de cérebro que mesmo sabendo desmaiar, toda a gente quer ver como um belo episódio da novela da desgraça alheia.
Portanto, os meus ódios são viscerais e não balísticos. E de entre muita coisa que odeio está uma especial. A Praia. Perdoem-me os amantes. Perdoem-me as mães e os pediatras que dizem que a água salgada faz muito bem às crianças. Perdoem-me os biquinis, de que gosto bastante, especialmente se bem vestidos. Mas eu odeio a praia.
O Markl, há uns anitos, afirmou que odiava a areia da praia. Pois, estou com ele. Reparem no suplício. Chegamos junto ao areal e a dúvida é a primeira coisa que se instala. Descalçamo-nos? Vamos calçados? Se nos descalçamos, logo aquela areia fina começa a instalar-se por entre os dedos dos pés, a provocar comichões, mau estar. Ataca com o oportuno sentido de um vírus informático precisamente quando estamos a trabalhar no mais importante ficheiro da nossa vida e do qual não possuímos qualquer cópia de segurança. Assim é a areia. Quando estamos prestes a saborear uma belíssima manhã de Verão, com bom Sol, bons biquinis, o sonzinho das ondas que nos acalmam, ela ataca feroz. Sem dó nem piedade.
Mas se vamos calçados durante a pesquisa do nosso lugar ideal, ela, com o mesmo efeito, mas com outros métodos, continua a batalhar para nos derrotar. Vai entrando, sorrateira, sem que nos demos conta. Primeiro começamos a sentir um elemento estranho ao sapato, téni ou chinelo. E sacudimos suavemente, procurando disfarçar o que pode ser uma péssima imagem para um homem numa praia, sacudir o pé qual cão depois de mijar. Continua a entrar. E nós sacudimos com um pouco mais de impetuosidade, mas ainda conseguindo disfarçar o nosso lado de cão. E por fim o incómodo é tão grande que preferimos tirar o téni, sapato ou chinelo ali mesmo, onde quer que seja, a fim de não sermos mesmo caçados com a pata alçada. E voltamos ao tormento de andar descalço.
Em suma, quer se ande calçado ou descalço, a areia está sempre ali para nos atormentar o espírito. E logo na altura em que precisavamos de todo o nosso potencial intelectual para conseguir descobrir um lugarzinho santificado, O lugar que tanto ambicionamos, mas que, qual pote de ouro no fim do arco-íris, nunca encontramos…

(continua)

2006-12-15

Traduções à portuguesa! - 3


Esta é especialmente dedicada ao meu amigo Hugo Chelo:


Oh ela aí vem
Cuidado rapaz ela vai mastigar-te
Oh ela aí vem
Ela é uma comedora de homens
Daryl Hall & John Oates - Maneater

Traduções à portuguesa! - 2

Já alguém se deu ao trabalho de traduzir músicas de inglês para português?

(Oh) Nikita, nunca saberás
coisa alguma sobre meu lar
Eu nunca saberei
como é bom te segurar
Nikita, preciso tanto de ti
(Oh) Nikita, é o outro lado
de qualquer vida dada no tempo
Contando dez soldadinhos de lata em uma fileira
(Oh)Nikita, tu nunca saberás

Elton John - Nikita

Traduções à portuguesa!

Há pouco estava a lembrar-me de quando a série "O Esquadrão Classe A" se chamava "Soldados da Fortuna".

Isso levou-me a reflectir sobre algumas traduções de séries e filmes, bem como de alguns diálogos.

Numa altura em que se exige que os miúdos tenham inglês desde pequeninos (a título de exemplo o meu filho mais velho - 4 anos - tem inglês no infantário, com direito a livro e tudo), temos de nos começar a preocupar sobre a qualidade das traduções.

De outra forma, os nossos filhos ficarão convencidos que "Fuck you" significa "Vai-te lixar".

Agora imaginem que alguém pergunta a um filho de um marceneiro o que é que o pai faz e ele tem de responder (em inglês) que o progenitor, entre outras coisas, lixa a mobília.

2006-12-14

Poligamia - devem ser é malucos!

Um amigo meu escreve às 4ªs feiras no blog "O Cachimbo de Magritte", e esta semana o seu post, sob o título CARTA ABERTA abordava o tema da poligamia.

Indignado, demonstrei o meu profundo desacordo com a poligamia, tendo afirmado num comentário, e passo a citar-me: "Quanto à poligamia, meus amigos só vos digo isto: eu estou casado com uma e já me basta para me martirizar o juízo."

Hoje um amigo meu liga-me e diz que poligamia não significava ter de conviver muito com uma mulher depois de se ter relações com ela.

Isso deixou-me intrigado e fui consultar um dicionário on-line para descobrir qual a noção de polígamo.

Então descobri que o termo significava: indivíduo ou designativo do indivíduo que tem mais de um cônjuge ao mesmo tempo (http://www.priberam.pt/dlpo/)

Agora digam-me quem é que, no seu perfeito juízo, se metia numa destas!

Já uma, sabe Deus...

Rodrigo mãos de x-acto

Tenho um bebé de 5 meses e assusta-me a velocidade vertiginosa a que lhe crescem as unhas.

Meus amigos, aquilo magoa e deixa marcas.

Daí a minha teoria que o Eduardo não tinha mãos de tesoura: não tinha era um corta-unhas!

Deve ter achado graça à história da unha grande do mindinho e generalizou essa mirabolante realidade (in)estética aos restantes dedos.

As Cinco Respostas de Freitas do Amaral

Hoje na VISÃO, as Cinco Perguntas são para Freitas do Amaral. As verdadeiras respostas apresentam-se aqui no KUMKARASSAS em primeira mão.

Porque aceitou este cargo?
Porque não tinha mais nada para fazer e uns trocos para pagar o motorista dão jeito.

A eleição portuguesa não corre o risco de parecer uma imitação para “pobrezinhos”?
Isto não é uma competição de segunda. Eu cheguei a fazer parte dos finalistas para os maiores monumentos do mundo, mas fui injustamente retirado pelo comité. Nós possuímos vários monumentos de valor mundial. Para além de mim, o Mário, o Sousa, o Narana, o Jardim, o Mota Amaral, o Jaime Gama, entre outros, podiam fazer parte da competição mundial.

Mas que benefícios vê nisto?
Metade das receitas poderão ir para a recuperação do património. Gostamos todos de nos portar como os Delfins. Já ninguém nos suporta, mas teimamos em reaparecer sabe Deus como.

A lista das 21 maravilhas pré-seleccionadas seria a sua?
Comprometi-me a não dar a minha opinião para não influenciar. Mas foi injusto terem-me tirado da competição mundial.

De onde virão as receitas?
Ainda não vi o orçamento. Mas concerteza o Sócrates arranjará um pontozinho percentual num imposto qualquer para pagar isto.

Barbáries Parentais

Por entre aquilo que considero serem várias barbáries cometidas aos meus filhos bébés, está uma que desde o princípio me causou enorme desconforto. Dentro do cesto onde se encontram uma série de nomes perfeitamente identificáveis por quem tem filhos e indicifráveis para quem não os tem - ColliMil, Aero-Om, Vigantol – está um cujo nome dá ideia de um suave bálsamo calmante, mas onde se esconde por detrás, um enorme monstro para qualquer Pai que se prese.
O seu nome, Bébé Gel. Nada de mais inocente. A palavra Bébé é suficiente para nos deixar absolutamente derretidos como barra de choclate preto ao lume em banho maria, mas acrescentaram-lhe uma outra doçura, o Gel, qual bálsamo, iguaria que se deita para nos tornar mais felizes e belos, no caso bébés mais felizes e belos. Por dentro, no entanto, esconde-se um verdadeiro lobo com pele de cordeiro, pronto a comer todos os capuchinhos vermelhos que dele se aproximem.
Desconfiei quando as enfermeiras e outras mamãs me falaram deste produto milagroso. É de desconfiar quando nos dizem que o seu interior é para deitar fora. Se o interior é para deitar fora, para que raio compramos nós o interior? Mas compramos. E vorazmente, que é o mais grave, como mais tarde vim a constatar. O tal lobo que se esconde é, nada mais, nada menos, que uma espécie de funil que se introduz no rabinho dos meninos… Só a ideia arrepia. E arrepiou ainda mais quando comecei a ver a prática do amável BébéGel.
Como muitos sabem é utilizado para aliviar as cólicas intestinais dos recém-nascidos. Introduz-se o tal funil, roda-se, introduz-se e tira-se e eis a fórmula mágica. Arrepia qualquer homem, pelo menos aqueles que não sorriem nem rejubilam por cada vez que alguém lhes faz um BébéGel.
Como se não bastasse a prática em si, eis que há pior. Os rapazes fazem realmente uma cara de satisfação, de verdadeira felicidade. Deixam-se ali estar, de pernas levantadas, com aquilo lá metido, até sorrindo para quem o faz…
Recusava-me a assistir. Não queria ver os meus filhos a serem literalmente enrabados com um objecto pela Mãe, ainda para mais com cara de felicidade. E foi assim que vivi durante vários meses. Recusando a ver aquilo que para mim era uma afronta à masculinidade de qualquer criança homem praticada pela própria Mãe que afirmava sem descanso que era preciso, que lhes fazia bem.
Partilhei este trauma com um amigo, também ele Pai. E é curioso como ele via o mesmo cenário com outros olhos. Tendo passado por esse trauma, resolveu-o com uma simples mudança de prespectiva. O ar de satisfação do filho não estava na introdução do objecto pelo rabo, estava antes no soltar de gases que qualquer homem que se prese dá com prazer. Aquele “AAAAAHHHHHHH” de alívio e satisfação que se solta depois de cagalhão preso cair fazendo subir uma pequena gota de água refrescante até uma das bordas do cu. Ou ainda um “toma” quando um peido sonoro e mal cheiroso sai disparado fazendo com que as bordas do cu batam palmas com a pressão. Estas e outras expressões de uma masculinidade a toda a prova eram vistas pelo meu amigo na face do seu filho que não sabendo falar, soltava pequanos monosílabos de igual significado ou esbracejava de contentamento pelo cagalhão ter encontrado a porta de saída.
O meu trauma passou. Era só um erro de prespectiva. Enquanto eu via satisfação no entrar, o meu amigo passou a ver satisfação ao sair. É mais confortante para um Pai, mas a verdade é que não deixa de entrar qualquer coisa.
E a este propósito deixo uma pergunta no ar. Se esta prática é comum nas raparigas, porque raio é que elas se recusam tantas vezes ao sexo anal se, na verdade, já não são virgens do cu quase desde a nascença?

2006-12-13

Catolicismo rules!

Há uns tempos atrás vi uma medida do Governo que achei interessante: retirar todos os símbolos religiosos das escolas, nomeadamente aqueles que estão associados à Igreja Católica.

Preocupa-me se um dia lhes der para serem coerentes e retirarem os feriados religiosos!

Lembro-me das sábias palavras do falecido Carlos Paião
"Viva até São Bento se nos arranjar
Muitos feriados para festejar..."

2006-12-11

Falta de espírito empreendedor

Soube que Novembro é o mês dedicado à luta contra a violência doméstica e, após profunda reflexão (cerca de 2 segundos e 3 milésimos, mais coisa menos coisa), decidi que era contra.

Depois da reportagem sobre o BDSM (Bondage/Disciplina/Sado-Masoquismo) reparei que andamos a desperdiçar recursos à toa: aproveitem-se as pessoas que gostam de amassar o/a cônjuge (sim, que também há senhoras que gostam de fazer o gosto ao dedo) e ponha-as a render em actividades sado-maso e assim todos ficam contentes!

Senão vejamos:
- quem arreava, continua a arrear e ainda é pago por isso, logo desenvolve uma profissão para qual sente uma natural afinidade – motivação no trabalho;
- quem era saco de pancada é agora um ou uma empresário ou empresária de sucesso – desenvolvimento económico;
- quem lá foi levou um excerto de pancada, gostou e pagou o preço solicitado – economia de mercado.

Modéstia à parte, considero esta ideia é quase tão brilhante como abrir as portas da Casa Pia a Pedófilos!