2006-12-14

Barbáries Parentais

Por entre aquilo que considero serem várias barbáries cometidas aos meus filhos bébés, está uma que desde o princípio me causou enorme desconforto. Dentro do cesto onde se encontram uma série de nomes perfeitamente identificáveis por quem tem filhos e indicifráveis para quem não os tem - ColliMil, Aero-Om, Vigantol – está um cujo nome dá ideia de um suave bálsamo calmante, mas onde se esconde por detrás, um enorme monstro para qualquer Pai que se prese.
O seu nome, Bébé Gel. Nada de mais inocente. A palavra Bébé é suficiente para nos deixar absolutamente derretidos como barra de choclate preto ao lume em banho maria, mas acrescentaram-lhe uma outra doçura, o Gel, qual bálsamo, iguaria que se deita para nos tornar mais felizes e belos, no caso bébés mais felizes e belos. Por dentro, no entanto, esconde-se um verdadeiro lobo com pele de cordeiro, pronto a comer todos os capuchinhos vermelhos que dele se aproximem.
Desconfiei quando as enfermeiras e outras mamãs me falaram deste produto milagroso. É de desconfiar quando nos dizem que o seu interior é para deitar fora. Se o interior é para deitar fora, para que raio compramos nós o interior? Mas compramos. E vorazmente, que é o mais grave, como mais tarde vim a constatar. O tal lobo que se esconde é, nada mais, nada menos, que uma espécie de funil que se introduz no rabinho dos meninos… Só a ideia arrepia. E arrepiou ainda mais quando comecei a ver a prática do amável BébéGel.
Como muitos sabem é utilizado para aliviar as cólicas intestinais dos recém-nascidos. Introduz-se o tal funil, roda-se, introduz-se e tira-se e eis a fórmula mágica. Arrepia qualquer homem, pelo menos aqueles que não sorriem nem rejubilam por cada vez que alguém lhes faz um BébéGel.
Como se não bastasse a prática em si, eis que há pior. Os rapazes fazem realmente uma cara de satisfação, de verdadeira felicidade. Deixam-se ali estar, de pernas levantadas, com aquilo lá metido, até sorrindo para quem o faz…
Recusava-me a assistir. Não queria ver os meus filhos a serem literalmente enrabados com um objecto pela Mãe, ainda para mais com cara de felicidade. E foi assim que vivi durante vários meses. Recusando a ver aquilo que para mim era uma afronta à masculinidade de qualquer criança homem praticada pela própria Mãe que afirmava sem descanso que era preciso, que lhes fazia bem.
Partilhei este trauma com um amigo, também ele Pai. E é curioso como ele via o mesmo cenário com outros olhos. Tendo passado por esse trauma, resolveu-o com uma simples mudança de prespectiva. O ar de satisfação do filho não estava na introdução do objecto pelo rabo, estava antes no soltar de gases que qualquer homem que se prese dá com prazer. Aquele “AAAAAHHHHHHH” de alívio e satisfação que se solta depois de cagalhão preso cair fazendo subir uma pequena gota de água refrescante até uma das bordas do cu. Ou ainda um “toma” quando um peido sonoro e mal cheiroso sai disparado fazendo com que as bordas do cu batam palmas com a pressão. Estas e outras expressões de uma masculinidade a toda a prova eram vistas pelo meu amigo na face do seu filho que não sabendo falar, soltava pequanos monosílabos de igual significado ou esbracejava de contentamento pelo cagalhão ter encontrado a porta de saída.
O meu trauma passou. Era só um erro de prespectiva. Enquanto eu via satisfação no entrar, o meu amigo passou a ver satisfação ao sair. É mais confortante para um Pai, mas a verdade é que não deixa de entrar qualquer coisa.
E a este propósito deixo uma pergunta no ar. Se esta prática é comum nas raparigas, porque raio é que elas se recusam tantas vezes ao sexo anal se, na verdade, já não são virgens do cu quase desde a nascença?

2 comentários:

Sérgio Almeida disse...

E foi assim que nasceu a ideia de se fazer este blog.

Há pessoas com muito tempo livre, há.

Hugo Chelo disse...

Caramba,
A Europa vai continuar com um déficit de natalidade.